
Ler é tudo de bom. Antes de dormir, melhor ainda. Ler abraçadinha à um travesseiro que emite luz... sem palavras. Só espero que seja suficiente! Confira mais detalhes no Blog da Galileu.
Palavras, apenas; palavras, pequenas; palavras, momento... palavras, palavras, palavras ao vento...


Depois de um longo e tenebroso inverno, aqui estou novamente publicando. Recomeço com uma homenagem ao mês da criança (já que o dia passou...).
Yasmin estava empolgada, acabaram as férias de julho e logo veria as suas amiguinhas e a professora. Para uma menina de quatro anos, o mundo é uma descoberta diária. Depois de longos discursos de como foram as férias, quem viajou para onde, juras de melhores amigas para sempre, a professora começou a aula perguntando para as crianças:
- Filha, tem que saber desenhar sim, mas não precisa ser um Leonar... (não, imbecil, não cita nome difícil), não precisa ser tanto assim como a professora disse.

Sabe aqueles dias em que você quer fazer alguma coisa diferente da rotina? E fica gastando o controle da televisão por que não sabe exatamente o que assistir? Nesses dias, ao menos comer algo diferente já seria um bom começo. Depois de mudar muitos canais, o sujeito esbarra com o comercial que parecia feito sob encomenda: um sanduíche com 6 milhões de combinações possíveis. Uau! Era isso! Poder escolher entre 6 milhões de itens parecia uma aventura diferente para um domingo à tarde. Do jeito que estava vestido – calça de moletom, camiseta básica branca e chinelos de dedo – saiu à cata do famoso sanduíche.
Chegando a uma franquia, se deparou com a caixa super bem treinada para atender qualquer cliente faminto por escolhas:
- Boa noite senhor, posso ajudar?
O empolgado sujeito responde:
- Com certeza! O anúncio diz que são 6 milhões de combinações, certo?
- Certo, senhor! Qual vai ser o pedido?
- Se eu quiser colocar 1 milhão de ingredientes no sanduíche eu posso, então?
- Desculpe, senhor, mas não é bem assim que funciona, o senhor tem direito a escolher entre 10 ingredientes e dois molhos.
- Mas só isso? Puxa, achei que pudesse escolher mais... Então, se são 6 milhões de combinações deve ter um bocado de itens para escolher.
- Na verdade, são 50, senhor...
- Nossa, como é que se chega nos milhões de combinações com 50 itens?
A caixa, a essa altura, já havia desfeito o sorriso da face...
- O senhor gostaria de fazer o pedido?
- Tudo bem, não quero mais tomar o seu tempo. Quais os tipos de pães?
- Integral, com gergelim, light, diet, árabe, branco, de leite, com ervas e centeio.
- Integral, gerge... me dá o normal mesmo.
- Normal não temos. Pode ser branco?
- Tudo bem, agora o recheio. Eu posso escolher 50, certo?
- Não, senhor... Apenas 10.
- Então coloca aí... Deixa eu ver... Nossa, é muita coisa... Alguma sugestão?
- O kani com queijo branco costuma sair muito bem.
- Não é bem isso que eu quero...
- Senhor, me desculpe, mas a fila está ficando grande atrás do senhor.
- Puxa, nem tinha percebido. Cancela o sanduíche. Vocês vendem sorvete?
-Não, senhor.
- Café?
- Carioca, expresso, com leite, chantilly, meio amargo, com raspas de canela...
- Me vê um preto, puro, sem açúcar.
- Vai tomar agora, para viagem ou delivery?
- Para viagem!
Eu adoraria dar a volta ao mundo em 180 dias. Conhecer lugares novos, entrar em contato com culturas tão diferentes da minha é enriquecedor. Sempre que vejo na televisão esses anúncios de viagens meus olhos brilham, mas uma pulga fica atrás da minha orelha. Já repararam que geralmente o comercial acaba assim: procure seu agente de viagens. Você conhece algum agente de viagens? É bem diferente de dizer “vou falar com meu advogado”. Ainda que você não tenha um de confiança, não é difícil contratar um, já que existem mais advogados do que chuchu na serra. Mas um agente de viagens? Imagina que chique, estou com vontade de conhecer a Itália, então eu pego meu caderno de telefones, ligo para o meu amigo agente de viagens e combinamos de tomar um cafezinho para discutir as melhores condições para se viajar.
Se alguém se encaixa nesse perfil, por favor, entre em contato comigo, eu preciso saber como é a sensação de ter um agente exclusivo (diretamente, sem o intermédio de um advogado, ok?).
Seria mais apropriado substituir o pronome possessivo pelo artigo indefinido. Quer conhecer a Itália? Procure UM agente de viagens. Hum... bem melhor.